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Estoque é dinheiro parado: como controlar sem software caro

Cada peça na prateleira é um valor em reais que saiu do caixa e só volta quando vende. Estoque sem controle é caixa sem controle.

Por Equipe CNPJ Contábil
· 4 min de leitura

Cada item na prateleira é um valor em reais que saiu do caixa e só volta quando vende. Uma loja com R$ 60 mil em mercadoria tem R$ 60 mil a menos na conta — e se metade daquilo não gira, R$ 30 mil ficaram presos sem juros, sem prazo de devolução e sem pagar boleto. Estoque sem controle é caixa sem controle. Só que dói mais devagar.

Comece pela conta mais simples

Uma barraca de limonada usa 10 limões por dia, seis dias por semana. Sem estoque, a dona vai ao mercado todo dia. Com estoque de uma semana, compra 60 limões de uma vez, a R$ 1 cada: R$ 60 saem do caixa na segunda e voltam ao longo da semana, limonada a limonada.

Se ela comprar 600 "aproveitando o preço", R$ 600 saem do caixa e a maior parte apodrece antes de virar receita. O desconto não compensou; o prejuízo é a mercadoria perdida mais o dinheiro que faltou para outra coisa durante o mês.

Toda gestão de estoque é uma versão dessa conta: quanto compro, para cobrir quantos dias de venda, com quanto dinheiro parado?

Giro de estoque

Giro é quantas vezes o estoque se renova num período.

Giro = custo das mercadorias vendidas no período ÷ estoque médio no período

Uma loja que vende R$ 120 mil (a preço de custo) por ano e mantém R$ 30 mil em estoque tem giro 4: o estoque inteiro se renova quatro vezes por ano, ou a cada 90 dias. Se conseguir o mesmo volume com R$ 20 mil em estoque, o giro sobe para 6 e R$ 10 mil voltam para o caixa sem vender nada a mais.

O giro diz se o problema é de venda ou de compra. Giro caindo com venda estável é compra demais. Giro alto com ruptura (item que falta) é compra de menos.

Curva ABC

Nem todo item merece o mesmo cuidado. Ordene os produtos por valor vendido no período e some acumulando:

  • A — os primeiros ~20% dos itens, que costumam responder por ~80% da venda. Nunca podem faltar; merecem controle diário e compra frequente.
  • B — os ~30% seguintes, com ~15% da venda. Controle semanal.
  • C — os ~50% restantes, com ~5% da venda. Compra mínima; candidatos a sair de linha.

O erro clássico é comprar a linha C com o mesmo entusiasmo da linha A "para ter variedade". A variedade fica na prateleira e o dinheiro dela fica preso.

Quanto comprar

Para cada item da curva A, três números:

  1. Venda média por dia (últimas 4 a 8 semanas).
  2. Prazo de reposição — dias entre pedir e receber do fornecedor.
  3. Estoque de segurança — alguns dias a mais para absorver variação.

Ponto de pedido = venda por dia × (prazo de reposição + dias de segurança)

Quando o estoque do item chega a esse ponto, é hora de pedir. Quanto pedir é a venda por dia vezes o intervalo que você quer cobrir até a próxima compra — nem mais.

Sazonalidade e o que sai de moda

Roupa, calçado, presente, material escolar: a venda por dia muda com o mês. Comprar em setembro pela média de agosto subestima novembro; comprar em janeiro pela média de dezembro enche a prateleira de coisa que vai encalhar até o próximo verão.

Para quem vende moda ou produto com ciclo curto, há ainda o risco de a peça sair de linha antes de vender. Aí o giro não é só financeiro: é o prazo de validade comercial. Estoque de coleção passada vale o que o cliente paga por ele, e isso costuma ser bem menos do que o custo.

Estoque grande demais quebra empresa lucrativa

Este ponto merece repetição. Uma empresa pode ter margem boa, cliente fiel e lucro na DRE — e não ter dinheiro para pagar o fornecedor porque o lucro está na prateleira. Estoque crescendo mais rápido que a receita é o sinal no balanço; empréstimo para pagar compra enquanto a anterior não vendeu é o sinal no caixa.

O remédio é comprar pelo ciclo de venda, não pela oferta do fornecedor. Desconto de 10% em mercadoria que leva seis meses para vender custa mais do que o desconto rende.

Sem software

Tudo acima cabe numa planilha com uma aba por item: entrada, saída, saldo, venda média, ponto de pedido. Sistema entra quando o número de itens ou o volume de movimentação faz a digitação atrasar — e para quem vende em marketplace, o extrato da plataforma já traz a saída item a item; importar em vez de digitar é o que torna o controle viável.

Seu caso é específico?

Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso — número de anos omissos, regime e município mudam a conta. Mande a sua situação que eu digo se cabe e o que custa.

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