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Balanço e DRE: como ler as demonstrações contábeis da sua empresa

O balanço diz o que a empresa tem e deve. A DRE diz se ela ganhou ou perdeu. Quem lê os dois para de decidir no escuro.

Por Equipe CNPJ Contábil
· 4 min de leitura

O contador manda todo mês (ou deveria) dois documentos que a maioria dos donos de empresa não abre: o balanço patrimonial e a DRE. Não abre porque parecem feitos para outra pessoa. Não são. Eles respondem, com número, as duas perguntas que o dono faz de cabeça o tempo inteiro: o que a empresa tem e deve, e se ela ganhou ou perdeu dinheiro.

Balanço patrimonial: a foto

O balanço mostra a posição da empresa numa data — 31 de dezembro, 30 de junho, o último dia do mês. É uma foto, não um filme. Dois lados, sempre iguais:

Lado esquerdo — Ativo (o que a empresa tem):

  • Circulante: o que vira dinheiro em até 12 meses. Caixa, banco, contas a receber, estoque, imposto a recuperar.
  • Não circulante: o que fica mais tempo. Máquinas, veículos, imóveis, sistemas, investimentos de longo prazo.

Lado direito — Passivo e Patrimônio Líquido (de onde veio o dinheiro para ter isso):

  • Passivo circulante: o que vence em até 12 meses. Fornecedores, impostos, salários, parcelas de empréstimo do ano.
  • Passivo não circulante: dívidas de longo prazo.
  • Patrimônio líquido: o que é dos sócios. Capital social mais lucros retidos, menos prejuízos.

A leitura que importa: compare o ativo circulante com o passivo circulante. Se o que vai entrar em 12 meses é menor do que o que vai sair, a empresa está sem capital de giro. E olhe o patrimônio líquido: se é negativo, ela deve mais do que tem.

DRE: o filme

A Demonstração do Resultado do Exercício mostra o que aconteceu num período — o mês, o trimestre, o ano. É uma subtração em etapas:

  1. Receita bruta — tudo que vendeu.
  2. (−) Impostos sobre a venda, devoluções, descontos = Receita líquida.
  3. (−) Custo dos produtos vendidos ou dos serviços prestados = Lucro bruto.
  4. (−) Despesas operacionais (administrativas, comerciais) = Resultado operacional.
  5. (−/+) Resultado financeiro (juros pagos e recebidos).
  6. (−) Imposto sobre o lucro, quando o regime tem = Resultado líquido.

Cada linha responde uma pergunta. Lucro bruto baixo é problema de custo ou preço. Resultado operacional baixo com lucro bruto bom é problema de estrutura. Resultado financeiro negativo grande é dívida cara comendo a operação.

A DRE segue o regime de competência: a venda entra no mês em que foi feita, não no mês em que o dinheiro entrou. Por isso a DRE pode mostrar lucro num mês em que o caixa esteve no vermelho — e é por isso que ela precisa ser lida junto com o fluxo de caixa.

Como os dois se conectam

O resultado líquido da DRE vai para o patrimônio líquido do balanço. Lucro aumenta o PL; prejuízo reduz. Retirada dos sócios reduz também. O balanço do fim do ano é o balanço do começo mais o que a DRE do ano produziu, menos o que foi retirado.

Quando o PL cai ano após ano e a DRE mostra lucro, a conta só fecha de um jeito: os sócios estão retirando mais do que a empresa gera.

O que faz a informação ser confiável

As normas contábeis (a estrutura conceitual do CPC, alinhada às normas internacionais) listam as características que uma demonstração precisa ter para ser útil. Duas são fundamentais:

  • Relevância: a informação é capaz de mudar uma decisão. Um balanço que mostra estoque pelo valor de compra de três anos atrás, quando metade encalhou, não é relevante.
  • Representação fidedigna: descreve o que aconteceu, completa, neutra e sem erro.

E quatro melhoram a utilidade:

  • Comparabilidade — o mesmo critério mês a mês, para que a variação signifique algo.
  • Verificabilidade — outra pessoa, com os mesmos documentos, chega ao mesmo número.
  • Tempestividade — chega a tempo de ser usada. Balanço de março entregue em agosto serve para o fisco, não para decidir.
  • Compreensibilidade — quem lê entende. Se o dono não entende a DRE, o problema é da DRE, não do dono.

Essas seis palavras são a régua para cobrar o contador. Demonstração que chega atrasada, com critério que muda, em formato que ninguém entende, cumpre a obrigação e não cumpre a função.

Reconhecimento e mensuração, em uma frase cada

Dois termos que aparecem nas normas e assustam: reconhecer é decidir se algo entra no balanço (uma dívida contestada na justiça entra? um contrato assinado mas não executado entra?); mensurar é decidir por quanto (o imóvel entra pelo que custou ou pelo que vale hoje?). Para a empresa pequena, o critério quase sempre é o custo histórico — o que foi pago — e as exceções o contador explica quando aparecem.

O hábito de ler

Dez minutos por mês. Na DRE: receita subiu ou caiu, lucro bruto em percentual da receita (a margem), resultado líquido. No balanço: caixa mais recebíveis contra o que vence, estoque em relação à venda, patrimônio líquido. Cinco números. Com eles, a conversa com o contador deixa de ser "quanto de imposto?" e vira "por que a margem caiu?" — que é a conversa que faz a contabilidade valer o que custa.

Seu caso é específico?

Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso — número de anos omissos, regime e município mudam a conta. Mande a sua situação que eu digo se cabe e o que custa.

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