Ir para o conteúdo

Diversificação de investimentos: como distribuir risco de verdade

Ter muitos produtos não é ter uma carteira diversificada. O que protege é ter ativos que não caem pelo mesmo motivo.

Por Equipe CNPJ Contábil
· 5 min de leitura

Diversificação de investimentos é uma dúvida de muitas pessoas que ouvem o conselho de não colocar todos os ovos na mesma cesta e não sabem como aplicar isso na prática.

Mas a ideia é simples e vamos passar tudo agora, inclusive o erro de achar que está diversificado quando não está.

Principalmente porque diversificar é uma das poucas formas de reduzir risco sem abrir mão, necessariamente, de retorno esperado.

Este texto é educativo e não é recomendação de investimento de nenhum ativo específico.

O que é diversificar.

Diversificar é distribuir o dinheiro entre ativos que não reagem da mesma forma aos mesmos acontecimentos.

Ou seja, a ideia não é ter muitos investimentos, e sim ter investimentos que se comportam de maneiras diferentes.

Assim, quando um deles vai mal, outro pode ir bem ou, ao menos, perder menos.

Claro que diversificar não elimina o risco, apenas reduz o impacto de um único erro ou de um único evento ruim.

Por exemplo, imagine uma pessoa que aplica todo o patrimônio em ações de uma só empresa e essa empresa enfrenta uma crise grave.

Deste modo, o prejuízo atinge a carteira inteira, algo que uma divisão entre vários ativos teria amortecido.

Por que a correlação importa.

Correlação mede o quanto dois ativos se movem juntos.

Quando é alta, eles sobem e descem quase ao mesmo tempo, e juntá-los na carteira ajuda pouco.

Quando é baixa ou negativa, um tende a compensar o outro, e é aí que a diversificação funciona de verdade.

Logo, o que importa não é a quantidade de ativos, e sim o quanto eles são diferentes entre si.

Por exemplo, imagine que você tem cinco ações de bancos diferentes.

Tendo em vista que todas dependem do mesmo cenário de juros e de crédito, elas tendem a oscilar juntas e a proteção é pequena.

As formas de diversificar.

A diversificação pode acontecer em várias dimensões ao mesmo tempo.

  • Por classe de ativo, como renda fixa, ações, fundos imobiliários e investimentos no exterior.
  • Por emissor, evitando concentrar o dinheiro em um único banco, empresa ou governo.
  • Por prazo, misturando vencimentos curtos, médios e longos.
  • Por indexador, combinando títulos atrelados à taxa básica, à inflação e com taxa definida na compra.
  • Por moeda, com parte do patrimônio ligada a moedas e economias de outros países.
  • Por setor e região, quando houver investimento em ações.

Assim, cada dimensão protege contra um tipo diferente de problema.

Para entender as classes, vale ler sobre renda fixa e renda variável.

O erro da falsa diversificação.

Muita gente acredita estar diversificada e na verdade está concentrada.

Principalmente porque os nomes dos produtos mudam, mas o risco por trás deles continua o mesmo.

Por exemplo, imagine que você tem um CDB, uma letra de crédito e um fundo de renda fixa, todos do mesmo banco.

Mas se esse banco enfrentar dificuldades, os três produtos ficam expostos ao mesmo emissor, mesmo parecendo três investimentos distintos.

Outro caso comum é ter vários fundos que, por dentro, carregam os mesmos papéis.

Claro que olhar a composição da carteira de cada fundo evita essa surpresa.

Também existe a falsa diversificação por moda: comprar de tudo um pouco sem entender o que cada coisa faz.

Diversificar demais também atrapalha.

Existe um ponto em que acrescentar ativos deixa de reduzir o risco e passa a só complicar a gestão.

Deste modo, uma carteira com dezenas de posições minúsculas dá trabalho, gera custos e dificulta saber o que está acontecendo.

Além disso, o retorno de cada posição fica tão diluído que nenhuma decisão certa faz diferença.

Logo, o objetivo é ter o número de ativos que você consegue acompanhar e explicar com clareza.

Por exemplo, imagine uma carteira simples com uma reserva em renda fixa de liquidez diária, títulos de prazos diferentes e uma parte menor em renda variável.

Assim, ela já distribui risco entre classes, prazos e emissores sem exigir acompanhamento diário.

Como começar a diversificar.

O ponto de partida é saber qual é o objetivo de cada parcela do dinheiro e em quanto tempo ele será usado.

Primeiro vem a reserva de emergência, que deve ficar em algo seguro e de fácil resgate.

Depois, o dinheiro para objetivos de médio e longo prazo pode ser distribuído conforme o seu perfil de investidor.

Tendo em vista que o perfil muda com a idade, a renda e as metas, vale revisar a distribuição de tempos em tempos.

Quando uma classe cresce muito e passa a pesar mais do que o planejado, é comum fazer o rebalanceamento, vendendo um pouco do que subiu e reforçando o que ficou para trás.

Claro que cada venda pode gerar imposto e custo, então esse movimento deve ser calculado antes.

Para quem está começando, a leitura sobre como começar a investir com pouco dinheiro ajuda a dar o primeiro passo.

O que a diversificação não faz.

Diversificar não garante lucro e não impede que a carteira inteira caia em uma crise que afete todos os mercados ao mesmo tempo.

Em momentos de pânico, ativos que costumam andar separados podem cair juntos.

Principalmente porque a diversificação reduz o risco específico de cada ativo, mas não o risco geral do mercado.

Por exemplo, imagine uma queda global em que ações de vários países recuam ao mesmo tempo.

Mesmo bem distribuído, o investidor vê perdas temporárias, e quem precisar vender naquele momento realiza o prejuízo.

Logo, liste hoje tudo o que você tem investido, agrupe por emissor, classe e prazo, e veja onde o dinheiro está mais concentrado do que parecia.

Seu caso é específico?

Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso — número de anos omissos, regime e município mudam a conta. Mande a sua situação que eu digo se cabe e o que custa.

Leia também